Vale quer explorar, por ano, 10 milhões de toneladas de areia em duas minas

Vale quer explorar, por ano, 10 milhões de toneladas de areia em duas minas



A Vale planeja explorar comercialmente areia gera-da nas atividades de bene-ficiamento do minério nas minas Cau√™ e Concei√ß√£o. Ser√£o 10 milh√Ķes de tone-ladas de areia produzidas anualmente, por um período de 10 anos, totalizando 100 milh√Ķes de toneladas. Essa atividade transformar√° Itabira no maior produtor brasileiro de areia. A informa√ß√£o chegou ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) para que seja dada anu√™ncia ao projeto.


Segundo o estudo ambiental apresentado aos conselheiros, o projeto em quest√£o n√£o impacta recursos hídricos e n√£o requer supress√£o de vegeta√ß√£o adicional, pois toda a √°rea a ser utilizada est√° em locais licenciados no Complexo Minerador Itabira. O projeto est√° na fase de concess√£o de lavra, para subst√Ęncia minério de ferro, sendo solicitado o aditamento para areia e quartzo, numa √°rea de 8.297,7 hectares. Os empreendimentos j√° est√£o licenciados e em opera√ß√£o. Assim, para a comercializa√ß√£o da areia n√£o é necess√°rio implantar nenhum novo equipamento ou realizar nova atividade de opera√ß√£o.


O escoamento desse material ser√° feito através de ferrovias e rodovias, tendo como seus principais mercados Espírito Santo, Minas Gerais, Brasília e o mercado externo, com o objetivo de comercializa√ß√£o ou doa√ß√£o de areia. O carregamento rodovi√°rio, partindo direto do Complexo Itabira, tem como objetivo atender um raio de até 200km, cujos locais ser√£o determinados ao longo do desenvolvimento do projeto.


A proposta é que a produ√ß√£o do minério silicoso seja utilizada como mineral industrial em v√°rios ramos da indústria como agregado miúdo para os diversos fins em constru√ß√£o civil. Ser√£o produzidos dois tipos de areia, uma que se assemelha à lavada e outra à comum.


Um dos conselheiros, Eu-g√™nio Cl√°udio de Andrade M√ľller, chamou a aten√ß√£o dos colegas para o "volume monstruoso" que ser√° explorado. "Eu queria fazer uma considera√ß√£o sobre essa anu√™ncia que temos de dar. O volume que vai ser alocado de areia é de 10 milh√Ķes de toneladas por ano. Só para a gente fazer uma compara√ß√£o, a Vale explorou ano passado 24 milh√Ķes de toneladas de minério de ferro. Estamos falando de 10 milh√Ķes de toneladas e eu n√£o sei se tenho uma ideia do que significa isso", disse ele, que representa a Associa√ß√£o Comercial, Industrial, de Servi√ßos e Agropecu√°ria de Itabira (Acita) no Codema.


"Só para a gente ter uma ideia, a produ√ß√£o de areia anual auditada no Brasil é de 77 milh√Ķes de toneladas. Ou seja, estamos falando de uma a√ß√£o que vai representar 13% de toda a produ√ß√£o auditada do Brasil. A gente sabe que o Brasil explora, infelizmente, de maneira ilegal, ent√£o a produ√ß√£o deve ser maior que isso. Mas só para ter uma no√ß√£o, hoje, temos no país inteiro, 4.601 minas de areia. Dessas, apenas quatro exploram mais do que 1 milh√£o de toneladas/ano. Ou seja, Itabira ter√° a maior explora√ß√£o de areia do Brasil. E aí fica um questionamento. Ser√° que essa areia n√£o seria matéria prima para desenvolver algum tipo de atividade econômica no município?", questionou o conselheiro.


Ele propôs a cria√ß√£o de algum mecanismo para que a cidade tenha um retorno maior desse novo material. "Isso representa uma reserva mineral de Itabira. Isso daria para desenvolver algum tipo de negócio na cidade. Se a gente alinhar isso com o propósito da Vale, ser√° que a gente n√£o tem a possibilidade de desenvolver algum tipo de negócio em Itabira aproveitando esse rejeito, j√° que ele n√£o tem custo para a Vale? O que estou pensando é que a gente pode sugerir uma condicionante, e eu sei que n√£o pode ser feita aqui porque o licenciamento n√£o é nossa responsabilidade, para criar algum mecanismo em que a cidade ganhe mais. Porque, até ent√£o, a Vale precisa se livrar do rejeito, sen√£o o negócio dela com o minério n√£o vai andar. Mas, para a cidade, e isso é um recurso mineral da cidade, ser√° que n√£o representaria uma possibilidade de iniciar uma nova cadeia produtiva em cima desse produto?", sugeriu Eug√™nio M√ľller.


Outro conselheiro, Glaucius Detoffol Bragan√ßa disse que a proposta deveria ser fruto de um estudo mais aprofundado antes de conceder a anu√™ncia. "É exatamente sobre esses números que o Eug√™nio [M√ľller] colocou que me chamam aten√ß√£o. Itabira passa a ser o maior produtor nacional desse recurso mineral e em uma preocupa√ß√£o de ordem técnica, foi verificado que essa lavra ainda n√£o foi concedida. Ent√£o, eu n√£o sei se seria possível colocar essa condicionante que o Eug√™nio [M√ľller] propôs, que seria muito interessante para o município", disse ele.


"N√£o seria importante ter primeiro a concess√£o dessa lavra para, depois, darmos aqui a anu√™ncia. Eu fiquei na dúvida", destacou Glaucius Detoffol, que solicitou a retirada do projeto para vista logo em seguida. Com isso, a proposta deve retornar na próxima reuni√£o do conselho, em agosto.